Acabei de finalizar a leitura de mais um clássico da literatura universal “As Ligações Perigosas” escrito por Pierre-Ambroise-François Choderlos de Laclos.
O livro é extremante interessante, classificado como romance epistolar, ou seja, um romance inteiramente constituído por cartas, que são trocadas entre os personagens, criando dessa forma o enredo da história.
O romance se passa na França do século XVIII, retratando a decadente e ociosa aristocracia francesa em um período próximo à Revolução Francesa.
Não posso deixar de mencionar o divertido quinteto amoroso formado por: Marquesa Isabelle de Merteuil, Visconde Sébastien de Valmont, Madame Cécile de Volanges, Cavaleiro Raphaël Danceny e Madame Marie de Tourvel.
Marquesa de Merteuil e Visconde de Valmont
Destaco a dupla maquiavélica e libidinosa formado por Marquesa de Merteuil e Visconde de Valmont que não medem as consequências de suas atitudes em benefício próprio, criando um ambiente de intrigas, traições e jogos de sedução.
Choderlos de Laclos nos mostra o quão baixo o ser humano é capaz de chegar, usando outras pessoas de forma maliciosa para obter vantagem e também nos mostra que a “Lei da Ação e Reação” sempre existiu, pois todos os personagens que se utilizaram o mal em seu benefício, no final acabaram recebendo o mal.
Um pouco sobre Pierre Choderlos de Laclos
Pierre Choderlos de LaclosLaclos foi um exímio observador dos costumes de sua época, pois era oriundo de uma família que pertencia à nobreza e soube retratar como ninguém o círculo social que frequentava. No início do romance, Laclos cita uma frase de Jean-Jacques Rousseau “Vi os costumes de meu tempo, e publiquei estas cartas”.
Em setembro de 1781, Laclos pediu seis meses de afastamento do exército, pois era militar, para se dedicar à sua obra, o autor desejava escrever um livro que fizesse escândalo e fosse comentado mesmo depois de sua morte, obtendo grande êxito em sua empreitada.
Em março de 1782 “As Ligações Perigosas” era lançado ao público. O romance foi um sucesso instantâneo, tendo vendido só no primeiro mês 2.000 exemplares. O romance foi um verdadeiro furor literário, causando como desejava o autor um grande escândalo.
A Marquesa de Croigny ao finalizar a leitura da obra, ordenou aos seus criados: “Aquele senhor magro e amarelo, de roupa preta, que vem aqui frequentemente... Não estou mais para ele... Se ficar sozinha em sua presença, terei medo”.
Pierre Choderlos de Laclos se relacionou com as grandes cabeças políticas da época; fora amigo do Duque de Orléans conspirando juntos contra a monarquia vigente, ao perceber a real intenção do Duque de substituir Luís XVI no trono da França, Laclos adere aos Jacobinos que depois o acusam de apoiar o Duque de Orleáns. Desgostoso com a política, Laclos volta a vida militar sob a proteção de Georges Jacques Danton, depois com a chegada de Napoleão Bonaparte ao poder, o imperador o nomeia ao posto de general-de-brigada devido ao seu passado militar, Laclos mostra bons serviços ao imperador, participando de vitoriosas batalhas.
Para finalizar este post, segue abaixo o trailer do filme da adaptação do romance para o cinema e antes que vejam, leiam uma frase divertida do autor sobre a condição humana:
"O nosso ridículo cresce na proporção em que nos dependemos dele".













































