
Para iniciar o ano, preparei um grande post sobre o livro “O Vermelho e o Negro”, uma obra-prima da literatura mundial, autoria de Stendhal. O livro narra a história de Julien Sorel tendo como cenário a cidadela fictícia de Verrières, localizada na região de Franche-Comté, durante o período pré-napoleônico.
Julien Sorel é uma das personagens mais intrigantes da literatura. Muitos o consideram um anti-herói romântico. Eu o analiso como alguém intrinsecamente humano, pois imagine nascer ambicioso, belo, inteligente e filho de um humilde carpinteiro na França do século 19, época na qual a ascensão social era algo bastante improvável. Julien Sorel não é bom, nem mal. Era apenas um jovem rapaz que desejava ascender socialmente.
O livro se inicia com o protagonista indo trabalhar na casa de Madame Renâl como professor de latim para o filho caçula. A paixão entre os dois eclode e logo os rumores do romance pairam sobre a cidade. Julien decide, prudentemente, deixar a casa e vai trabalhar em Paris como secretário do Marquês de la Mole. A filha do nobre, Mathilde de la Mole, se apaixona por Julien e, logo, engravida. Começam os preparativos para o casamento. Nesse período, Madame Renâl toma conhecimento desse matrimônio e, furiosamente, escreve uma carta para o Marquês contando a verdade sobre o empregado e classificando-o com um aproveitador das classes superiores. Ensandecido Julien volta para Verrières e atira em Madame Renâl dentro da igreja. Ela, no entanto, se salva e Julien perde perdão confessando que sempre a amou. Julien é condenado à guilhotina pelo crime que cometeu.
Madame Renâl - Mathilde de la Mole - Julien Sorel
A disputa entre Madame Renâl e Mathilde de la Mole, infelizmente, leva o protagonista à morte. Julien sabendo da sua condenação e do louco amor que Madame Renâl nutria por ele, pede a ela para não se matar. No entanto, ela morre logo depois, de profundo desgosto abraçada ao filho. Solitária, Mathilde de la Mole enterra a cabeça de Julien no jazigo da família, fazendo visitas regulares à sepultura, assim como a Rainha Margot fez com seu amante que curiosamente se chamava “Joseph Boniface de la Mole”.
O porquê do nome “O Vermelho e o Negro”
Existem controvérsias sobre o título do livro, muitos consideram como o “vermelho” da antiga farda vermelha dos franceses e o “negro” da batina dos padres, mostrando a dúvida de Julien no começo do romance: seguir a carreira militar ou a eclisiástica.
Outros consideram que o “vermelho” representaria a paixão e o “negro” a morte, temas frequentes do romance.
O autor

Stendhal
Henri-Marie Beyle (1783-1842), mais conhecido pelo pseudonimo de Stendhal.
Stendhal foi um dos maiores romancistas do século 19, o livro “O Vermelho e o Negro” fora lançado em 1830 e é considerado a sua obra-prima. Ele marca o início do realismo na literatura francesa, deixando de lado toda a tradição romântica em voga na época.
O escritor, infelizmente, veio a ser reconhecido como um grande romancista, cerca de cinquenta anos após a sua morte. Apenas o poeta Baudelaire e o escritor Balzac reconheciam seu talento, a crítica em geral não deu nenhum crédito a ele. Balzac chegou a declarar que Stendhal era seu escritor favorito e que a crítica francesa um dia iria dar o seu devido valor.
Não era fácil triunfar na literatura em pleno século 19, período o qual considero de ouro para a literatura, especialmente à francesa. Victor Hugo brilhava com “Os Miseráveis”, Alexandre Dumas lançava o “Conde de Monte Cristo” e Honoré de Balzac triunfava com a “Comédia Humana”, incluindo nessa obra os sucessos: “A Mulher de Trinta Anos”, “O Pai Goriot” e “Ilusões Perdidas”.
Para finalizar este post, segue abaixo uma bela frase do autor:
“O homem que não amou apaixonadamente, ignora a metade mais formosa da existência”.
Stendhal




















